4 de out de 2010

No dia 1º de outubro, o Dr. Rogério Ranulfo foi destaque
na editoria de saúde do Jornal de Brasília.
Confira abaixo, a matéria publicada.



Leia abaixo, na íntegra, o artigo assinado pelo Dr. Rogério Ranulfo:

HIPERIDROSE

A temperatura do corpo é mantida em equilíbrio através de mecanismos interligados. Entre eles, a produção do suor. Especialmente durante o exercício ou em ambiente onde a temperatura está mais elevada, o suor auxilia na homeostase corpórea. A sudorese é regulada pelo sistema nervoso autônomo simpático. Quando ocorre o excesso de atividade das glândulas sudoríparas e consequente transpiração excessiva, denominamos que há hiperidrose.

A hiperidrose é uma doença relativamente frequente e acomete cerca de 0,6 a 1 % da população. Por ser uma condição de extremo desconforto ao seu portador, associa-se a grande embaraço social e ao desenvolvimento de distúrbios de convívio na tentativa de, em busca do isolamento, esconder o problema. Ao suor excessivo é associado, como fator agravante, o odor fétido das áreas afetadas. A bromidrose é resultado da colonização bacteriana no local. A hiperidrose pode ser primária, sem causa aparente, ou secundária associada a outras doenças como o hipertiroidismo, distúrbios psiquiátricos, a menopausa e a obesidade. O seu início pode ser em qualquer fase da vida: na infância, na adolescência ou somente na idade adulta e pode estar associado à ocorrência familiar.

Os pacientes referem-se à sudorese constante, geralmente espontânea ou precipitada, com o aumento da temperatura ambiente, durante exercícios físicos, em episódios de ansiedade, pela ingestão de condimentos e até mesmo associado à febre.

O suor pode ser quente ou frio, mas constante; restrito a uma região (palma das mãos, planta dos pés, axilar, inframamária, inguinal ou cranio-facial) ou ocorrer de forma generalizada. Porém, geralmente melhora durante o sono. Para o tratamento clínico da hiperidrose empregam-se o uso de antiperspirantes e adstringentes (axilas), talco ou amido de milho natural (pés), sabonetes antissépticos e o uso de drogas antidepressivas, ansiolíticas e anticolinérgicas que promovem alivio parcial dos sinais. Porém, esses medicamentos se associam a diversos efeitos colaterais como alterações da visão, sedação, boca seca e problemas urinários. A psicoterapia de suporte pode ser tentada.

Uma alternativa terapêutica recente e eficaz é a aplicação da toxina botulínica, cujo efeito dura entre 6 meses a 01 ano. Mas, é indicada somente para áreas de pequena extensão.

Dentre os métodos cirúrgicos, a introdução da simpatectomia torácica por videotoracoscopia revolucionou o tratamento da hiperidrose palmar e axilar de forma segura, pouco invasiva e eficaz. Por meio de pequenas incisões e visão direta, o cirurgião interrompe o segmento da cadeia simpática causadora do distúrbio. Os resultados relatados são excelentes (98%) na hiperidrose palmar e de 70% de melhora nas formas crânio-facial e plantar. Relata-se entre 20% a 50% dos pacientes tratados, a ocorrência da hiperidrose compensatória em outras áreas do corpo predominantemente dorso e coxas e de duração geralmente transitória de até 6 meses como resposta termorreguladora do organismo.

Outra técnica disponível consiste na lipoadenoaspiração axilar. Nela, o dermatologista cirurgião, sob anestesia local tumescente, emprega uma cânula específica que cureta a face interna da porção mais profunda da pele e aspira as glândulas sudoríparas causadoras da hiperidrose. Os resultados são excelentes e poderão ser incrementados em nova sessão, se necessário. Geralmente não se associam à recidiva ou a hiperidrose compensatória, porém está restrita a hiperidrose axilar. Esses métodos cirúrgicos garantirão melhoria da qualidade de vida dos pacientes com resgate da auto-estima, do equilíbrio emocional e consequente melhor convívio social.

ROGÉRIO TÉRCIO RANULFO

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